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Erros, flutuações e a construção de um modelo de jogo

Alô, amigos e amigas da Mir4r!


Demos a sorte de estrear o blog na semana de jogaço entre dois gigantes do futebol brasileiro. Na noite da última quarta (11), Flamengo e São Paulo disputaram os primeiros 90 minutos das quartas de final da Copa do Brasil. O esperado era um confronto com muito foco na tática - e o que se viu não deixou a desejar.


Foi um jogaço, um embate muito rico de ideias e conceitos - graças, em boa parte, aos trabalhos dos treinadores Rogério Ceni e Fernando Diniz. O placar foi resolvido no que foi apontado como erro individual do jovem goleiro rubro-negro Hugo Souza. Este texto se propõe a analisar mais a fundo este momento, que acabou sendo crucial.





Na Mir4r, acreditamos em uma visão sistêmica do jogo de futebol - e, por que não, da vida. Todas as ações e acontecimentos - positivos e negativos, segundo um ponto de vista - estão interligados, ou seja: existe uma rede de conexões. Assim, é preciso encarar o momento do segundo gol tricolor não como um erro, mas como uma flutuação.


Seguindo este paradigma, as flutuações são fundamentais para a evolução de um sistema - nesse caso, o comportamento coordenativo da equipe e do jogador . A ideia do erro faz parte da cultura da culpa, muito presente no mundo ocidental. "Quem erra deve ser punido".

Será? Temos certeza que você que está lendo esse primeiro texto caiu inúmeras vezes antes de aprender a andar, certo? Mas, como ser humano, você teve a capacidade de se coordenar junto ao ambiente para não cometer os mesmos “erros” e, de fato, começar a se locomover de uma maneira mais eficiente. Ou seja, as flutuações foram fundamentais para o seu processo de auto-organização. As flutuações são fundamentais para que os sistemas evoluam.


> Na Mir4r Academy, tivemos o prazer de receber Camilo Speranza, ex-diretor de projetos FC Barcelona e treinador do Auckland City, que explicou como criar um modelo de jogo a partir desta visão sistêmica de jogo. Clique aqui para assistir ao Webinar!


O momento com o goleiro Hugo Souza vai gerar uma série de aprendizados que podem afetar de maneira significativa o seu desenvolvimento, levando ao aprimoramento do sistema equipe.


É possível perceber que o São Paulo também flutuou, mas reagiu de formas diferentes. Com um treinador no cargo há mais tempo (Rogério Ceni assumiu o Flamengo pouco mais de 24 horas antes do confronto!), alguns comportamentos são mais naturais aos jogadores do Tricolor Paulista.


Um dos pontos principais do jogo: nenhuma das equipes abriu mão de suas ideias de jogo. Mesmo com inúmeras flutuações, o São Paulo teve confiança no estilo de jogo e não abriu mão da construção de jogadas a partir da defesa - mesmo com a unidade alta de pressão do Flamengo. Do lado rubro-negro, a postura foi igual. É preciso notar, porém, que o Rubro-Negro passou por mudanças importantes no comando técnico nos últimos meses.


Não é legal tomar um gol aos 48 do segundo tempo em jogo de mata-mata? É horrível! E o torcedor tem o direito de ficar chateado. Mas é preciso lembrar, também, que erros são normais, e é com eles que a gente aprende. No futebol não é diferente.