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A paixão em campo

Nesta semana, um baque gigante para os fãs de futebol. Diego Armando Maradona nos deixou aos 60 anos de idade. Uma parada cardiorrespiratória levou aquele que era um nome único e inesquecível na história do esporte.


Nascido em 1960, Maradona encantou o mundo nos anos 80. Em campo, o símbolo do jogo sul-americano: velocidade, malandragem, dribles, chutaços, jogadas plásticas e inesquecíveis. Mas era muito mais do que isso: era também a paixão, a emoção e o próprio espírito do continente.


É fácil lembrar de Maradona como um craque; alguém que revolucionou a forma como se joga. É mais fácil ainda lembrar dele como alguém... humano. Um símbolo dos sonhos, das aspirações, do coração.





Era arte em campo. Foi descrito por Galeano, cantado por Manu Chao. Tema de poemas, canções, textos, análises, fotografias épicas e pinturas. O que é a arte, senão uma forma de tentar explicar as emoções?


Diego nasceu pobre e nunca se esqueceu disso - nem nunca deixou que se esquecessem. Foi para a Europa, mas nunca deixou as raízes de lado. Em campo e fora dele, paixão e lealdade por quem era e por quem o acompanhava.


Espantou na Copa de 1986. Nas quartas de final, contra a Inglaterra, em cinco minutos um dos melhores resumos do que foi Maradona. Abriu o placar em jogada ilegal, de mão. Dobrou a vantagem com o Gol do Século, levando às lágrimas o narrador e milhões de argentinos. O ladrão e o gênio: el Diez era contraditório, paradoxal. Como o futebol, como a vida.




Se tornou religião em um clube desprezado, quase marginal. Ao levar o Napoli ao título maior do futebol italiano, Maradona viveu um conto de fadas: sim, o oprimido pode vencer. Sim, o Davi pode vencer o Golias. Sim, o futebol é mágico.




Visto como "Diós" por muitos, Diego nunca foi perfeito - nem nunca tentou ser. Ganhou, perdeu; foi herói, foi vilão. Mais do que "Diós", foi humano. Um craque que entrou para a história pelas vitórias e pelas derrotas. Uma avalanche de lições de esporte, de vida e de humanidade.




As homenagens vieram dos maiores rivais. Em Porto Alegre, o SC Internacional - que enfrentaria o Boca Juniors, clube do coração de Maradona - iluminou o Beira Rio com as cores da bandeira argentina - azul e branco, as cores do maior rival. Este era o tamanho de Maradona.




As cenas que se passam na Argentina depois do falecimento de El Diez não deixam dúvida do poder do esporte. Futebol é mais do que o que acontece entre as quatro linhas: é cultura e fenômeno social.


Um ídolo onde o povo conseguia se enxergar.


Descanse em paz, Maradona!